Paraisópolis em São Paulo — desigualdade urbana

Paraisópolis em São Paulo — desigualdade urbana (Crédito da foto: Reprodução/Web)

A análise das condições das moradias e das áreas em que elas estão localizadas, ao longo do território nacional, mostra que o país está longe de ter cidades sustentáveis. A proliferação de ocupações irregulares e de domicílios com infraestrura inadequada são questões que potencializam os problemas dos grandes centros urbanos. É o que aponta os mapas do Atlas Nacional Digital do Brasil 2017, lançada pelo IBGE, que contém um caderno temático sobre “Cidades Sustentáveis”. O caderno tem como base o item onze dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que tem como meta tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

“Em uma área de grande concentração populacional o impacto sobre o urbano proporcionalmente é muito maior do que naqueles com menor número de habitantes, que estão mais distribuídos no espaço”, explica Maria Lúcia Vilarinhos, geógrafa do IBGE.

Segundo Maria Lúcia, é justamente nas grandes cidades que se tem os maiores percentuais de domicílios adequados, com coleta de lixo e saneamento básico, por exemplo. Porém, também é nesses locais em que se concentram grande quantidade de domicílios com infraestrutura inadequada, problema que é potencializado pelo expressivo número de habitantes que vivem em uma mesma área.

“[Nas grandes cidades], a melhor qualidade convive ao lado da pior. É um fenômeno estrutural brasileiro presente em todo o território. A cidade, ao atrair população, superlota o seu entorno e gera precariedade, por não se tratar de um crescimento planejado. Essa manifestação não é tão preponderante nos municípios menores”, avalia.

Para ela, o Brasil ainda está longe de ter cidades sustentáveis. “Mobilidade, acessibilidade, destino do lixo, adequabilidade dos domicílios, democratização do acesso da população à gestão do espaço público e a participação da mulher nas estruturas de poder e de decisão são fatores que mostram que estamos distantes da sustentabilidade minimamente desejável”.

O ATLAS DIGITAL DO BRASIL 2017

O Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 traz a atualização das seções “Brasil no mundo” e “Sociedade e economia”, além de um caderno temático inédito sobre “Cidades Sustentáveis”. A publicação incorpora, em ambiente interativo, as informações contidas no Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, publicado em 2010.

A edição 2017 do Atlas Nacional Digital do Brasil revela as profundas transformações ocorridas na geografia brasileira, acompanhando as mudanças observadas no processo de ocupação do território nacional na contemporaneidade, e se estrutura em torno de quatro grandes temas: o Brasil no mundo; território e meio ambiente; sociedade e economia; e redes geográficas.

Além de textos, o Atlas utiliza mapas, tabelas e gráficos para possibilitar um amplo cruzamento de dados estatísticos e feições geográficas, o que facilita o entendimento da diversidade demográfica, social, econômica, ambiental e cultural do território brasileiro.

Clique no link a seguir para acessar o Atlas Nacional Digital do Brasil 2017.

GEOGRAFIA DAS CIDADES SUSTENTÁVEIS NO BRASIL

O caderno temático faz uma leitura espacial de um conjunto de informações produzidas pelo IBGE e por outras instituições públicas que abordam a questão da sustentabilidade em sua dimensão urbana, como forma de subsidiar as discussões em torno dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS11): “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”.

O caderno é estruturado em torno de quatro eixos temáticos: urbanização, habitação e mobilidade urbana; ambiente urbano e segurança; planejamento, democratização e participação na sociedade; e cultura e patrimônio.

 

»» Com informações do site do IBGE.