A mobilidade urbana na macrometrópole paulista

A mobilidade urbana na macrometrópole paulista

Ampliando o debate para além da questão do transporte stricto sensu e destacando a integração da mobilidade com outras políticas setoriais, o artigo de José Marcos Pinto da Cunha et al. analisa a mobilidade pendular da população residente em grandes aglomerados metropolitanos, tendo em vista a avaliação dos processos de interação e complementaridade no âmbito de tais aglomerados. O problema é discutido a partir do caso da Macrometrópole Paulista, que reúne quatro regiões metropolitanas e três aglomerações urbanas do estado de São Paulo, com uma população superior a 30 milhões de pessoas e que mantêm fortes relações com o município-polo da Região Metropolitana de São Paulo.

O artigo “A mobilidade pendular na Macrometrópole Paulista: diferenciação e complementaridade socioespacial”, de José Marcos Pinto da Cunha, Sergio Stoco, Ednelson Mariano Dota, Rovena Negreiros, Zoraide Amarante Itapura de Miranda, é um dos destaques do Dossiê: “Mobilidade urbana nas metrópoles brasileiras”, da Revista Cadernos Metrópole nº 30.

Abstract

The main objective of this article is to make a diagnosis of the trends and characteristics of commuting in the so-called Macrometrópole Paulista (Macrometropolis of São Paulo), using the information available in the 2000 and 2010 Censuses. The knowledge of the current situation and of the evolution of this phenomenon may greatly contribute to the evaluation of the process of socio-spatial interaction and complementariness that develops among urban centers, where the new forms of location both of economic activity and of the population in general are already clear. The study of this phenomenon, therefore, contributes to diagnose the process of structuring of these spaces and, above all, to mitigate deficiencies in housing, transport, health and education policies, among others.

 

Introdução

José Marcos Pinto da Cunha

Sergio Stoco

Ednelson Mariano Dota

Rovena Negreiros

Zoraide Amarante Itapura de Miranda

Nos últimos dez anos, enquanto a taxa de crescimento anual da população das regiões metropolitanas paulistas foi de 1,1%, a taxa de crescimento dos movimentos pendulares entre as regiões que compõem a Macrometrópole Paulista foi de 8,7% ao ano.O fenômeno da mobilidade pendular constitui um reflexo da diversidade sociodemográfica e espacial existentes nas grandes aglomerações urbanas, em particular aquelas de caráter metropolitano. De fato, esse tipo de movimento, que se caracteriza por sua regularidade (embora possa ser ou não cotidiano), é resultado do descompasso da ocupação dessas regiões em termos demográficos e econômicos, cujos condicionantes têm sido considerados tanto a partir de uma visão macro, em geral ligada ao processo de produção do espaço e localização das atividades produtivas, quanto a elementos microssociais, tais como as novas preferências de moradia, principalmente da população de mais alta renda.

Vários autores têm contribuído para a descrição e diagnóstico desse fenômeno (Aranha, 2005; Oliveira e Oliveira, 2011; Moura et al., 2005; Cunha, 1994), uma vez que alguns deles têm ido mais adiante no sentido de buscar explicação para esse tipo de movimento populacional (Ihlanfeldt, 1994; Kain, 1992; Jardim, 2007; Sobreira, 2007; Cunha e Sobreira, 2008; Pereira, 2008; Lobo et al., 2009). O presente trabalho aborda o fenômeno da pendularidade a partir de uma visão que extrapola o olhar microrregional da dinâmica intrametropolitana.

É fato que esse tipo de movimentação seja mais intenso e volumoso dentro das aglomerações urbanas, especialmente aquelas de caráter metropolitano. Interessante constatar que, em função das mudanças em nossa sociedade, particularmente a partir dos anos 1990, é possível observar um verdadeiro extravasamento das possibilidades de mobilidade pendular para além das fronteiras regionais, de diferentes recortes espaciais.

A emergência e reconhecimento institucional da Macrometropóle Paulista talvez seja um dos aspectos que melhor retratam essas novas tendências que decorrem de processos estruturais, como a reestruturação produtiva e a desconcentração econômica, com implicações socioespaciais e demográficas importantes. Assim, o aumento da complementariedade econômica e social entre os territórios, mesmo não alterando radicalmente a lógica metropolitana, tem propiciado uma “urbanização dispersa” (Reis Filho, 2006) que, além de outros impactos, acaba incrementando os deslocamentos de pessoas entre regiões de forma cada vez mais intensa.

O presente ensaio, além de apresentar as principais características da recém-reconhecida Macrometrópole Paulista e discutir algumas contribuições para a compreensão e análise dos movimentos pendulares, concentra-se, sobretudo, em revelar as principais características e tendências desse tipo de deslocamento, ocorrido, ao longo dos anos 2000, entre as quatro Regiões Metropolitanas (RM São Paulo, RM Campinas, RM Baixada Santista e RM Vale do Paraíba e Litoral Norte) que representam a maior parte da população que conforma essa grande área de integração e complementariedade econômica, social, política e de infraestrutura.

Para ler o artigo completo “A mobilidade pendular na Macrometrópole Paulista: diferenciação e complementaridade socioespacial”, acesse a edição nº 30 da Revista Cadernos Metrópole.

 

Última modificação em 17-04-2014 18:21:57

 

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