Resiliência e capacidade adaptativa: o caso de Recife

By 06/11/2014janeiro 25th, 2018Artigos Científicos, Revistas Científicas

Resiliência e capacidade adaptativa: o caso de Recife

A incorporação dos conceitos de resiliência e capacidade adaptativa no planejamento urbano com vistas à sustentabilidade das cidades diante das mudanças climáticas é o centro da discussão do artigo de Edinéa Alcântara de Barros e Silva, “Resiliência e Capacidade Adaptativa para a Sustentabilidade de Cidades como o Recife”. Para desenvolver o tema, a autora parte do estudo de caso da cidade de Recife, onde as suscetibilidades e vulnerabilidades ambientais têm causado grandes prejuízos ao funcionamento e sustentabilidade da cidade.

O artigo “Resiliência e capacidade adaptativa para a sustentabilidade de cidades como o Recife”, é um dos destaques da edição nº 18 da Revista eletrônica e-metropolis.

Abstract

The term resilience has been applied to the capacity of a city to keep functioning at a similar level within a short space of time after facing natural disasters. It has also recently been associated with the planning of sustainable cities, where the recommendation is for uncertainties and risks to be prioritised in planning. Resilience may be understood as a process that bundles adaptive capacities to maintain functioning and adapt following a disturbance. This is especially relevant in cities with high growth and density at risk of natural disasters, whether they are susceptible because of their physiographical characteristics or through socioeconomic and environmental vulnerability. Both apply to Recife, a city at sea level that is subject to floods. This article discusses resilience, vulnerability, adaptive capacity, and maladaptation in the construction of sustainable cities.

INTRODUÇÃO

América Latina e Caribe são as regiões mais urbanizadas do mundo, com mais de 80% da população vivendo em cidades. Apesar da desaceleração prevista, as projeções indicam que sua população urbana ficará próxima a 90% até 2050. (ONU-HABITAT, 2012) No Brasil, o último censo constatou que 84,36% (IBGE, 2011) da população vivia em áreas urbanas.

Essa concentração populacional nas cidades traz grandes impactos principalmente quando ocorreu em algumas décadas e sem a provisão da infraestrutura urbana necessária, como no caso do Brasil.Aliado a tal fato, o modelo de desenvolvimento adotado tem priorizado o crescimento econômico, a despeito da sustentabilidade socioambiental, e continua com essa ênfase, tanto que a estratégia para enfrentar a recente crise econômico-financeira mundial foi estruturar o crescimento econômico apostando no consumo interno.

Tal opção alcançou, temporariamente certa estabilidade de crescimento no país,apesar da crise mundial.

O Nordeste tem conseguido índices de crescimento ainda maiores do que o Brasil, por quase cinco anos. Em 2010, o PIB chegou a 8,3% de crescimento, segundo o Boletim Conjuntura Econômica, publicado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene). Pernambuco acumulou uma expansão do PIB de 15,78% num só ano, assumindo uma liderança regional nessa agenda.

Destacam-se grandes empreendimentos na Região Metropolitana de Recife (RMR), como a ampliação do Complexo Portuário de Suape, ao sul da RMR, no município de Ipojuca, a Cidade da Copa, a oeste, no município de São Lourenço da Mata e ao norte, o polo farmacoquímico e a implantação da montadora da Fiat, no município de Goiana, além dos vários investimentos em ampliação da infraestrutura viária para comportar tais empreendimentos. O megaevento da Copa do Mundo de 2014 potencializa essa tendência.

Esse contexto tem importância particular, com rebatimentos na capital do estado, uma vez que a gestão municipal e a gestão estadual adotam política de crescimento econômico semelhantes. Essa estratégia de crescimento tem trazido impactos positivos e negativos nas cidades. No Recife, eles tendem a se ampliar, principalmente, porque entre as modalidades de indústrias que mais causam alterações nas cidades estão a automobilística e a construção civil, alvos da política governamental de estímulo ao crescimento.

Tais impactos refletem-se em constantes congestionamentos de tráfego e problemas estruturais de mobilidade. Por sua vez, a indústria da construção civil tem investido maciçamente no adensamento e verticalizações crescentes sem a provisão da necessária infraestrutura urbana.

Enquanto a opção de crescimento econômico assume centralidade no modelo de desenvolvimento do país, trazendo consigo impactos por demais conhecidos nas cidades brasileiras, outra tendência tem surgido, em âmbito internacional, que é a necessidade de construir cidades resilientes e com capacidade para se adaptar às mudanças climáticas de forma sustentável, materializada pela campanha “Construindo cidades resilientes: minha cidade está se preparando” (UNISDR, 2011, UNISDR, 2012).

 

Acesse o artigo completo na Revista e-metropolis.