Nesta análise do “Índice de bem-estar Urbano – IBEU Local”, Marina Lemes Landeiro mostra que a Região Metropolitana de Goiânia (RMG) se destaca como a segunda melhor em condições ambientais urbanas a partir de indicadores como arborização do entorno dos domicílios, esgoto a céu aberto no entorno dos domicílios e lixo acumulado no entorno dos domicílios. A RMG obteve 0,85 no índice, ficando atrás apenas da RM de Campinas. Além disso, no ranking dos 40 melhores municípios posicionados na dimensão condições ambientais, 12 deles pertencem à RMG.

 

IBEU da Região Metropolitana de Goiânia

Marina Lemes Landeiro

A RMG ocupou o quarto lugar dentre as 15 regiões metropolitanas do país no que se refere ao IBEU Global. O índice alcançado pela RMG foi de 0.72. Pode-se dizer que a RMG apresenta-se em posição intermediária, com um valor superior à média alcançada pelas regiões metropolitanas: 0.605.

Apenas o IBEU da Região Metropolitana de Campinas foi considerado elevado: 0.873. As regiões metropolitanas com resultados intermediários e acima da média foram 8, consecutivamente: Florianópolis; Curitiba; Goiânia; Porto Alegre; Grande Vitória; Belo Horizonte; São Paulo e; RIDE-DF. Seis regiões metropolitanas obtiveram índices abaixo da média, consecutivamente foram: Salvador; Fortaleza; Rio de Janeiro; Recife; Manaus e Belém. As três últimas regiões metropolitanas apresentam índices insatisfatórios.

A distribuição das regiões metropolitanas segundo o IBEU Global evidencia desigualdades territoriais importantes na escala nacional: duas RM do Norte e uma do Nordeste foram as piores avaliadas. Em contraposição as 3 RM do Sul do país apresentam índices intermediários e acima da média. A Região Sudeste é marcada por 1 RM com índice elevado enquanto outra possui valor intermediário abaixo da média, assim como 3 valores intermediários acima da média.

No que se refere à Região Centro-Oeste, esta possui duas RM’s: Goiânia e RIDE-DF. Enquanto a primeira ocupa uma boa posição, quarto lugar no IBEU Global, a segunda, mais distante, ocupa o nono lugar. Apesar das colocações, a diferença nos valores de ambas não é grande: 0.72 e 0.61.

Ao analisar apenas as capitais das Unidades da Federação Goiânia aparece na segunda posição, atrás apenas de Vitória. Ao considerar todos os municípios das regiões metropolitanas Vitória ocupa a 6ª posição, enquanto Goiânia ocupa a 18º posição. Contudo, nenhum outro município da RMG aparece no ranking dos 40 municípios melhores posicionados no IBEU. Por outro lado, não há nenhum município da RMG na lista dos 40 municípios piores posicionados. Neste caso, convém ressaltar, que duas RM’s se destacaram positivamente: Campinas e de Porto Alegre são as que mais possuem cidades no ranking dos municípios bem avaliados. A primeira com 15 municípios e a segunda com 11 municípios.

IBEU Local da Região Metropolitana de Goiânia (RMG)

A Região Metropolitana de Goiânia é composta por 20 municípios. Os dados do Censo Demográfico 2010 foram disponibilizados de maneira que é permitido dividir o território da região metropolitana em 82 áreas de ponderação. A avaliação da RMG, segundo o IBEU Local, pode ser inicialmente entendida como consideravelmente positiva: mais de 50% das áreas de ponderação possuem condições intermediárias (0,51 – 0,8) e quase 40% delas possuem condições superiores (0.81 – 1). No entanto, encontramos nuances e importantes desigualdades internas que, da nossa parte, merecem maior atenção.

Assim, se o for tomado como referência a média alcançada pelo IBEU Local (0.72), das 82 áreas de ponderação, 40 estão abaixo da média e 42 acima da média. Em compensação, as áreas de ponderação piores avaliadas não apresentam índices tão baixos, o menor valor foi de 0.42.

As peculiaridades da situação da RMG toma forma a partir da visualização do mapa que representa os resultados do IBEU Local da RMG. Nele é possível notar com clareza como a variável território é importante para compreender as desigualdades de bem-estar urbano da RMG.

Os melhores resultados (0,801 – 1), numa primeira visualização, estão concentrados unicamente no núcleo do município de Goiânia. Se aumentarmos a escala de visualização, percebemos que essa concentração se dá internamente no município núcleo em suas regiões sul e central. Apesar disso, a capital também conta com áreas com níveis intermediários (0,501 – 0,8), localizadas principalmente na margem oeste e norte de Goiânia.

Já os municípios mais integrados à capital, como por exemplo: Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade, Bonfinopólis e Caldazinha, apresentam níveis intermediários inferiores de condições de bem-estar urbano (0,7 – 0,501). Outros municípios, mais distantes da capital e menos integrados a mesma, como: Inhumas, Nova Veneza, Nerópolis, Goianápolis, Bela Vista de Goiás, Guapó, Caturaí, apresentam níveis intermediários (0,8 – 0,701), porém superiores a dos municípios mencionados anteriormente.

Notadamente, em Aparecida de Goiânia e Goianira, estão as áreas com mais níveis inferiores de bem-estar urbano (0,5 – 0,001). As regiões de Aparecida de Goiânia que se encontram nessa situação são: Independência Mansões, Vila Souza, Jardim Tiradentes, Jardim Tropical. Em Goianira, a área de com nível mais baixo é justamente aquela mais próxima a Goiânia. Mais precisamente próxima à região noroeste, uma parte da cidade com IBEU intermediário e reconhecidamente concentradora de várias carências sociais.

Acesse no link a seguir a análise completa do IBEU da RM de Goiânia.

 

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 Última modificação em 19-10-2013 13:41:37