Acompanhe nesta quinta-feira, dia 16 de setembro, às 16:00, o último debate do Ciclo Cadernos Metrópole – Difusão Científica e Temas Emergentes. Com a presença de Luciano Fedozzi (UFRGS) e Lívia Miranda (UFCG), a atividade abordará os movimentos sociais, a partir do dossiê “O ativismo urbano contemporâneo: resistências e insurgências à ordem urbana neoliberal”.

Publicado na Revista Cadernos Metrópole número 46, o dossiê organizado por Luciano Fedozzi, Heleniza Campos, Mario Lahorgue, Paulo Roberto Soares e Vanessa Marx aborda a governança urbana e metropolitana, políticas públicas, espaços de poder e território.

Com transmissão ao vivo pelo Youtube, o debate começará às 16:00 e será mediado por Lucia Bógus, editora científica da Cadernos Metrópole. A seguir, confira os principais pontos abordados no debate anterior.

“Disputas político-conceituais sobre a governança das metrópoles” foi tema do penúltimo debate do Ciclo Cadernos Metrópole

O penúltimo debate do Ciclo Cadernos Metrópole ocorreu na quinta-feira, dia 09, e abordou o dossiê temático “Disputas político-conceituais sobre a governança das metrópoles”. A atividade contou com a presença do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva e do professor da PUC-SP, Francisco Fonseca, que discutiram aspectos da governança urbana e metropolitana. Com transmissão ao vivo pelo Youtube, o debate teve mediação da editora científica da Cadernos Metrópole, Lucia Bógus.

O dossiê organizado por Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva, publicado na Revista Cadernos Metrópole número 45, aborda a governança, as políticas públicas, os espaços de poder e o território. Na oportunidade, o professor da UFRN sugeriu a organização de um novo dossiê que tocasse no tema da governança. “Os desafios que pra mim ficaram claros é que nós precisamos conversar sobre as dimensões da conjuntura, mas também tendo um olho estrutural, ou seja, um olhar para a frente, que nos permita posicionar o que nós chamamos, hoje, criticamente, de governança, e se isso sobreviverá de algum modo”, pontuou Silva. No decorrer do debate, houve uma provocação da editora científica da Cadernos Metrópole, que observou o fato de que muitas pessoas usam a palavra governança para tudo, como se fosse uma “solução cosmética”. Para o professor da UFRN, o papel da academia é fazer um debate crítico sobre a governança, inclusive, reconsiderando suas posições e aquilo que foi alvo de luta normativa no passado.

Além disso, existe um outro elemento: quais são os conflitos territoriais que continuam e os conflitos atuais. “Por exemplo, me parece que há movimentos no campo do saneamento que apresentam algo que não estamos muito preparados para discutir, que é a presença de alguns lugares com investimento privado, outros lugares com investimentos públicos e outros híbridos. Então, precisamos ver como trabalhar essa nova conjuntura, pensar a mobilidade urbana num cenário de investimento zero e uma série de condicionantes do território que continuam batendo à porta”, ressaltou Silva. Conforme o professor, esses desafios conjunturais do tema da governança não se esgotam na dimensão conceitual, ou seja, as disputas político-conceituais continuam, mas agora com novos constrangimentos. “São esses constrangimentos que temos que ver como se estruturarão, como saem de uma conjuntura adversa para uma estrutura permanente e isso, talvez, seja o elemento que num novo Cadernos Metrópole a gente pudesse chamar para ouvir quem estude sobre o tema”, relatou.

De acordo com o professor da PUC-SP, o debate teve uma reflexão difícil. “Estamos aqui tateando uma construção de um mundo em ruínas, enfim, é uma situação de grande dificuldade para o pensamento, para a academia, para a reflexão analítica e eu queria chamar a atenção para isso. Este é um momento de muita confusão, conturbação em vários aspectos, a pandemia e o pandemônio, toda uma ideia de que a complexidade virou confusão. A complexidade deixou de ser apenas um conjunto de variáveis que se articulam de maneira, às vezes, não coerente para algo que é confuso, em que há uma própria dificuldade de compreensão dos fenômenos que nós estamos vivenciando nas mais distintas perspectivas. Está aí a pandemia para nos colocar novos desafios completamente distintos em várias dimensões”, refletiu Fonseca.

Para o professor, existem dois pontos importantes: o primeiro é a questão do diagnóstico, ou seja, um grande recorte de 2016 para os tempos atuais, onde há uma mudança muito vigorosa no Brasil. “A Operação Lava Jato quis destruir o setor da estrutura nacional e conseguiu, quis destruir a esquerda, centro esquerda e foi capaz de dar vazão para uma direita e uma extrema direita que não estava organizada no Brasil. Então, nós temos que entender que processo é esse, como isso foi possível, e porque os impactos disso são absolutamente claros hoje. Antes de tudo, para um novo dossiê, um diagnóstico em âmbitos distintos, especificamente pensando nas políticas públicas, nas questões federativas, no território, mas, claro, mesmo em níveis intermediários precisam se conectar com o macro recorte. Precisamos compreender o que está acontecendo no Brasil, o que estamos vivenciando no meio deste furacão que vem desde 2016”, apontou.

O segundo ponto, para o professor, é entender que existem resistências e quais são, que projetos os que resistem têm, os velhos e os novos movimentos em várias dimensões, e o que pode surgir a partir dessas resistências à luz dos diagnósticos. “Podem sair algumas linhas de proposição do que é a ideia de democracia, de uma sociedade civilizada, minimamente igualitária, mas não simplesmente com o olhar do passado, vamos ter que repensar a própria Constituição de 1988. Existem desafios de uma desestruturação, e esse me parece que é o ponto: é muito difícil e ninguém tem uma solução, temos pistas, e foi isso que gente tentou fazer aqui”, afirmou Fonseca.

O Ciclo Cadernos Metrópole é o segundo evento do II Congresso Observatório das Metrópoles “O Futuro das Metrópoles e as Metrópoles no Futuro”, que pretende construir uma interpretação compartilhada sobre as mudanças em curso, pensar sobre a produção da rede e estabelecer estratégias de intervenção. Para conferir o registro de todos os debates, acesse o nosso canal no Youtube.

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