Segregação socioespacial no desenvolvimento urbano de Maringá

Segregação socioespacial no desenvolvimento urbano de Maringá
Segregação socioespacial no desenvolvimento urbano de Maringá

Neste artigo, as professoras Ana Lúcia Rodrigues e Fabíola C. Cordovil (UEM), núcleo Maringá do Observatório das Metrópoles, analisam o legado da atuação do poder público municipal em Maringá (PR) a partir do plano moderno da cidade e da disposição de um zoneamento determinado pelo padrão econômico que se desenvolveu e se consolidou numa ocupação urbana caracterizada por recorrentes processos de segregação socioespacial, implementada pelas ações conjuntas dos agentes imobiliários e do poder público.

O artigo “Segregação socioespacial e a negligência ao patrimônio construído: legado dos projetos e práticas do poder público municipal em Maringá” foi apresentado no XII Coloquio Internacional de Geocrítica (Colômbia 2012), na mesa temática: Transformaciones urbanas y periurbanas.

A cidade de Maringá, embora tenha sido criada há um pouco mais de 60 anos, tem gravada em sua breve existência aspectos relevantes da construção de sua materialidade e de processos segregadores de desenvolvimento urbano.

A atuação do poder público municipal, desde o início de sua institucionalização, empreendeu obras relevantes que viriam a compor o seu patrimônio edificado. Por ter sido criada por uma empresa privada, a formação da municipalidade foi assinalada por uma complexa demarcação entre o público e o privado. Para o primeiro gestor público, seria necessário retirar a CMNP – Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná – dos mandos e desmandos quanto ao que se relacionava ao público, além de regular e tributar o que era de sua propriedade. Porém as sobreposições do que era da Companhia, os seus deveres para com a municipalidade, e o que deveria ser público, não raro, deram origem a querelas e conflitos que culminaram no processo litigioso de cassação do mandato do prefeito pela Câmara Municipal, somente revertido na justiça.

Apesar da incipiente municipalidade e a consequente carência de recursos financeiros para os investimentos em redes de infraestrutura, muitas práticas e ações públicas se traduziram na efetividade do espaço construído. Desde a sua concepção, o autor do projeto Jorge de Macedo Vieira, estabeleceu, no plano inicial de Maringá, espaços bem definidos de uma cidade planejada e idealizada, que abrigariam diversos edifícios e espaços públicos e privados.

Como resultado dessas diretrizes, a cidade de Maringá (PR) é frequentemente reconhecida associada a uma imagem urbanística muito positiva oriunda do planejamento de que resultou. Mas, esse plano inicial já previa um processo de ocupação residencial do território urbano que consolidava a característica de uma sociedade hierarquizada. Foram destinados espaços distintos segundo as possibilidades econômicas dos adquirentes em áreas denominadas zonas residenciais principais, populares e operárias.

O objeto de análise deste artigo, portanto, pauta-se no processo de transição de uma cidade idealizada para uma cidade construída e materializada, notadamente na construção e demolição dos primeiros edifícios da área central, na qual as principais atividades se concentraram e cujos edifícios não foram mantidos como símbolo desse importante período da história. Ainda a partir do plano inicial, analisamos a disposição de um zoneamento determinado pelo padrão econômico que se desenvolveu e consolidou uma ocupação urbana caracterizada por recorrentes processos de segregação socioespacial, implementada pelas ações conjuntas dos agentes imobiliários e do poder público.

Acesse o artigo “Segregação socioespacial e a negligência ao patrimônio construído: legado dos projetos e práticas do poder público municipal em Maringá” aqui.

 

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