Não perca nesta quinta-feira, dia 26 de agosto, às 16:00, o quarto debate do Ciclo Cadernos Metrópole – Difusão Científica e Temas Emergentes. Com a presença de Olga Lúcia de Freitas Firkowski (UFPR) e Regina Tunes (UERJ), a atividade abordará o processo de metropolização, a partir do dossiê “Metropolização: dinâmicas, escalas e estratégias”.

Publicado na Revista Cadernos Metrópole número 47, o dossiê organizado por Olga Lúcia de Freitas Firkowski reúne artigos que estimulam o aprofundamento das discussões metropolitanas. Diversas dinâmicas metropolitanas são tratadas nos textos, que se materializam na articulação entre diferentes escalas, essenciais para a compreensão da metropolização.

Com transmissão ao vivo pelo Youtube, o debate começará às 16:00 e será mediado por Lucia Bógus, editora científica da Cadernos Metrópole. A seguir, confira os principais pontos abordados no último debate e a programação dos próximos.

Terceiro debate do Ciclo Cadernos Metrópole abordou a gestão das águas

As relações multifacetadas entre planejamento urbano e gestão das águas, a partir do dossiê “A Metrópole e a Gestão das Águas”, foi o tema abordado no terceiro debate do Ciclo Cadernos Metrópole – Difusão Científica e Temas Emergentes, que ocorreu na última quinta-feira, dia 19. A atividade contou com a presença da professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Núcleo Rio de Janeiro, Ana Lucia Britto e do professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Ricardo Moretti.

O debate foi mediado pela editora científica da Cadernos Metrópole, Lucia Bógus. “Conseguimos dar continuidade à discussão iniciada na última semana, onde foi abordada a questão ambiental urbana e, de alguma maneira, também se referiram à questão da água e da gestão das águas na metrópole”, mencionou a editora. A professora Ana Lucia Britto iniciou a conversa contextualizando o projeto que coordena no âmbito do Observatório, intitulado “Gestão das águas urbanas e do saneamento básico em Regiões Metropolitanas: impasses e possibilidades de universalização”.

Em seguida, Britto explicou que o debate seria focado em três pontos: fazer o link entre direito à cidade e direito às águas; retomar algumas questões nos textos que fizeram parte do dossiê das águas urbanas nos Cadernos Metrópole; olhar onde houve avanços dentro dessas pesquisas e trazer a questão do debate mais contemporâneo sobre o que mudou.

De acordo com Ana Lucia, a questão central é o direito à água. “Desde 2010, o direito à água e ao esgotamento sanitário foram reconhecidos como direitos humanos essenciais. Então, o Estado e poder público têm a obrigação de assegurar esse direito para todos, sem nenhum tipo de discriminação”, ressaltou. Ela também salientou que existe a questão do bem-estar urbano, que está muito ligada à proteção das pessoas, como o manejo das águas pluviais, por exemplo, tratando da suscetibilidade maior que o mundo está vivenciando no que se refere às inundações, sobretudo nas metrópoles. “Estamos com um projeto novo no Observatório, que começou esse ano e que tem apoio do CNPQ, sobre Sustentabilidade Urbana, onde estamos desenvolvendo essa linha, dentre as quais, estudos sobre essa questão da suscetibilidade a inundações”, reforçou.

Águas urbanas

O número 33 dos Cadernos Metrópole, publicado em 2015, tratava do tema das águas urbanas, tanto relacionado aos problemas que são identificados com relação à precariedade na distribuição das águas, serviços de coleta e esgoto, poluição dos rios, inundações, mas também em pensar as águas urbanas como oportunidades de buscar recursos para projetos que refletissem a qualidade ambiental. “Hoje, temos mudanças significativas que são em torno da discussão atual sobre a mudança na linha do tema mais global da pesquisa do Observatório, essa inflexão na ordem urbana e como a inflexão neoliberal impacta numa dessas dimensões no múltiplo fluxo das águas nas cidades, que é a questão do acesso, sobretudo da população mais pobre, ao abastecimento de água e ao esgotamento sanitário”, afirmou Ana Lucia.

Esse é um tema que a professora e pesquisadora vem trabalhando há muitos anos e agora ganhou uma visibilidade maior, que foi a discussão no contexto da pandemia da Covid-19, sobre a população que vive na cidade e que não tem acesso adequado aos serviços de abastecimento de água. “Diante desse quadro, a proposta do Governo Federal é ampliar as privatizações, as Parcerias Público-Privadas e, para isso, o governo formulou uma nova lei, chamada de novo marco do saneamento, que tem como princípio estimular a concorrência e a desestatização do setor, como caminho para serviços de qualidade”, explicou. Segundo ela, existe uma política pública que está voltada claramente a atender os interesses privados, que não irão atender à população rural dispersa, nem a população das favelas, das periferias, onde o custo é elevado e o retorno é baixo. “As pessoas não terão condições de pagar as tarifas, e isso vai gerar conflitos. Vejo no futuro uma série de questões nesse sentido”, ressaltou.

Para o professor Ricardo Moretti, o saneamento teve como grandes impulsionadores a demanda por melhoria de saúde pública e tanto o saneamento quanto a saúde publica foram os grandes impulsionadores do urbanismo. “Temos que dar passos na direção de uma reaproximação de um entendimento como parte de um direito humano e público ao saneamento, não dá para ver o saneamento como negócio, porque ele é uma questão de saúde pública”, refletiu. Segundo ele, a luta para recuperar as águas urbanas envolve uma desconstrução de um modelo financista do saneamento. “Infelizmente, o que estamos vendo é o contrário, reforçando o caráter exclusivamente financeiro no serviço do saneamento, onde deveríamos estar percebendo com a perspectiva de melhoria de saúde pública”, advertiu o professor.

O Ciclo Cadernos Metrópole é o segundo evento do II Congresso Observatório das Metrópoles “O Futuro das Metrópoles e as Metrópoles no Futuro”, que pretende construir uma interpretação compartilhada sobre as mudanças em curso, pensar sobre a produção da rede e estabelecer estratégias de intervenção.

Programação

05/08 – Mesa de Abertura | A Metrópole e a Covid-19: presente e futuro

  • Abertura: Lucia Bógus
  • Organizador: Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro
  • Convidados: José Noronha, Nabil Bonduki, Ricardo Dantas e Roberto Falanga

12/08 – Dossiê 01 | A Metrópole e a Questão Ambiental

  • Organizador: Pedro Roberto Jacobi (Universidade de São Paulo)
  • Debatedora: Angélica Benatti Alvim (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

19/08 – Dossiê 02 | A Metrópole e a Gestão das Águas

  • Organizadora: Ana Lucia Britto (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • Debatedora: Ricardo Moretti (Universidade Federal do ABC)

26/08 – Dossiê 03 | Metropolização: Dinâmicas, Escalas e Estratégias

  • Organizadora: Olga Freitas Firkowski (Universidade Federal do Paraná)
  • Debatedora: Regina Tunes (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

02/09 – Dossiê 04 | Macroeconomia e Desenvolvimento Metropolitano, Regional e Local

  • Organizador: Alexandre Abdal (Fundação Getúlio Vargas)
  • Debatedora: Hipolita Siqueira de Oliveira (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

09/09 – Dossiê 05 | Disputas Político-Conceituais sobre a Governança Metropolitana

  • Organizador: Alexsandro Cardoso da Silva (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
  • Debatedor: Francisco Fonseca (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

16/09 – Dossiê 06 | O Ativismo Urbano Contemporâneo: resistências e insurgências à ordem urbana neoliberal

  • Organizador: Luciano Fedozzi (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
  • Debatedora: Lívia Miranda (Universidade Federal de Campina Grande)

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