Mobiliza IPPUR: PEC 55 e a austeridade seletiva

Manifestação contra a PEC 55

O Mobiliza IPPUR promoveu, no dia 7 de novembro na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), o evento “PEC 55 e a austeridade seletiva”, que contou com a participação de Ricardo Lodi, professor de Direito/UERJ; e representantes de movimentos políticos contrários à PEC. Segundo Lodi, o pacote de austeridade do Governo Temer não é para todos, é sim seletivo já que vai atingir principalmente os trabalhares e consumidores, mas não o capital e a propriedade. “Por meio da doutrina do choque com a narrativa de crise econômico-política, o governo federal quer acabar com o Estado Social. A PEC 55 e agora a PEC da Previdência significam o fim do Estado distributivo. Estamos vendo um retrocesso comandado pela elite econômica do país”, defende Lodi.

O Mobiliza IPPUR é um grupo formado por alunos, professores e técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ), criado para debater, refletir e lutar pela universidade pública diante de um contexto conservador da classe política brasileira.


A Rede INCT Observatório das Metrópoles apoia o Mobiliza IPPUR e os outros grupos e entidades que estão produzindo material crítico sobre a atual crise política do Brasil, e buscando soluções e modos de resistência diante das medidas conservadoras e de retrocesso que estão sendo implementados no país.

Até o dia 16 de dezembro, o Mobiliza IPPUR realizará uma série de eventos de resistência e debate.

Veja a programação aqui

CARTA-MANIFESTO DO MOBILIZA IPPUR

Estamos indignados. Diante dos impactos das propostas do atual governo nos serviços públicos, na ciência e no campo acadêmico, que implicam perda de recursos e de legitimidade das universidades, faz-se ainda mais urgente assumir a disputa pela opinião pública.

Estamos motivados e vamos resistir à atual rodada de medidas retrógradas e de austeridade seletiva. Nossa atuação começa dentro da universidade, radicalizando a articulação entre ensino, pesquisa e extensão e reestruturando a relação com as questões trazidas pela sociedade de forma mais ampla com o intuito de potencializar a produção da crítica.

Organizamos grupos de trabalho interdisciplinares, formados por alunos, professores e técnicos do IPPUR para acompanhar a imprensa e o cotidiano do campo burocrático nas três esferas de governo, identificar pautas pertinentes à gestão pública e ao planejamento urbano e regional, debater sobre estes temas e produzir conteúdo crítico para ser divulgado em diferentes plataformas.

Estamos mobilizados. O instituto está direcionado, pelo menos até o fim do ano, para a tarefa emergencial de defender um ensino público, reflexivo e de alta qualidade, assim como outras funções essenciais de um Estado democrático e justo.

A PEC 55 E A AUSTERIDADE SELETIVA

Durante o evento “A PEC 55 e a austeridade seletiva”, o profº Ricardo Lodi (UERJ) falou sobre o retrocesso político e econômico que o Brasil está vivendo, simbolizado pela Proposta de Emenda Parlamentar 55, que está em processo de aprovação a partir do uso da “doutrina de choque” do Governo Michel Temer, apoiada pelos Poderes Legislativo e Jucidiário, pela grande mídia e a classe empresarial do país.

“A PEC 55 significa que a economia brasileira vai voltar a crescer, que a população também vai crescer nos próximos 20 anos, porém, as despesas do Estado não! Ou seja, uma geração que vai nascer agora não pode contar com o Estado para mais nada”, explica.

Ricardo Lodi

Segundo Ricardo Lodi, o governo de Michel Temer quer destruir o Estado Social a partir da austeridade seletiva. “Chamo de seletiva porque a PEC 55 não é ruim para todo mundo. É ruim para quem precisa dos serviços do Estado, como saúde pública, previdência, educação pública etc., ou seja, a maioria da população. Enfim, a PEC 55 atinge diretamente os trabalhadores e consumidores, mas não o capital e a propriedade. É uma política de austeridade que tem como objetivo reduzir o tamanho do Estado,  similar ao que existia no período pré-1930, no qual era cada um por si. Em suma, é uma política para uma pequena parte da população; para essa elite econômica que tem dinheiro para comprar o apoio político e construir uma narrativa nacional de caos e austeridade”.

Ricardo Lodi falou da estratégia do governo federal de usar a “doutrina de choque” para viabiliza as medidas de austeridade. “O que estamos vendo é a construção de uma narrativa de caos econômico e político — apoiado pela grande mídia — para gerar medo na população e viabilizar as políticas de austeridade. Essa é uma prática dos governos liberais, e foi usado por Margaret Thatcher no Reino Unido e Ronald Regan nos EUA. No Brasil, a doutrina do choque criou um inimigo nacional, o PT, e nomeou o vilão a Corrupção, e agora está buscando unir os vários setores pelo medo para aprovar as propostas”, aponta.

Veja o vídeo da participação de Ricardo Lodi em Brasília para analisar a PEC 55.

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Mobiliza IPPUR

Mobiliza PÓS RJ

 

 

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