Novos Estudos Cebrap: Os capitais do urbano no Brasil

Centro do Rio de Janeiro

Centro do Rio de Janeiro

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) lança a nova edição da Revista Novos Estudos (edição 105), que traz o dossiê “Os capitais do urbano no Brasil” com uma série de trabalhos focados no entendimento dos agentes privados envolvidos com a produção da cidade. O dossiê analisa o capital privado envolvido em áreas como transporte urbano, limpeza urbana, projetos de renovação urbana — Porto Maravilha, empresas de consultoria e gerenciamento, e as empresas envolvidas com a habitação popular de mercado.

Publicada há mais de quarenta anos pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) a revista Novos Estudos Cebrap é um periódico multidisciplinar de ciências humanas, direito, literatura e artes. Quadrimestral, traz artigos de autores nacionais e estrangeiros, debates, entrevistas e resenhas.

Consolidada no panorama intelectual brasileiro, a revista tem como objetivo apresentar análises aprofundadas de temas das ciências humanas e acompanhar o debate de ideias no país, contribuindo para o adensamento das discussões num amplo leque de temas, das artes plásticas às políticas públicas.

A seguir o texto de Apresentação do Dossiê “Os Capitais do urbano no Brasil”, assinado por Eduardo Marques.

APRESENTAÇÃO

Faz parte do senso comum das literaturas acadêmicas nacional e internacional a ideia de que empresas privadas influenciam processos políticos e, em especial, as políticas públicas da (e na) cidade.

Entretanto, com, talvez, exceção do capital imobiliário, cujo circuito de valorização está mapeado e conhecido desde há muito, a maior parte do que se discutiu e analisou tem caráter inespecífico, centrando-se na agenda clássica da sociologia urbana de compreender a relação entre esses circuitos de valorização e as dinâmicas mais gerais da acumulação ou as múltiplas relações entre cidade e capitalismo. O problema é agravado pela pequena tematização das instituições políticas e do governo urbano pela ciência política, visto que a cidade nunca foi considerada como um objeto privilegiado de análise por essa disciplina.

Por essa razão, apesar de muito se falar sobre empresas privadas na produção das cidades, pouco conhecimento se acumulou sobre os diferentes tipos de capitais, suas formas particulares de operação e, em especial, suas relações com o Estado e suas políticas.

Essa situação tem tendido a mudar em período recente no Brasil, com o surgimento de uma série de trabalhos focados mais especificamente no entendimento dos agentes privados envolvidos com a produção da cidade. Este dossiê congrega alguns desses trabalhos, apresentados em workshop realizado no Centro de Estudos da Metrópole (cem) em novembro de 2015. Nosso objetivo é refletir coletivamente sobre o tema e gerar um diálogo que possa precisar o papel dos capitais em nossas cidades, ao mesmo tempo que ilumina as especificidades e particularidades de cada um deles.


O dossiê se inicia por um artigo de minha autoria que delimita conceituamente os capitais do urbano, seus diferentes tipos e características, e discute processos e características que os especificam no caso brasileiro. Em seguida, Marcos Campos analisa a economia política das empresas de transporte urbano e Samuel Ralize de Godoy investiga o tipo de capital possivelmente menos tematizado pela literatura — as empresas envolvidas com a limpeza urbana. Betina Sarue discute o lugar dos capitais no que classifica como o primeiro grande projeto brasileiro — o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. O artigo que se segue, de Magaly Marques Pulhez, trata das empresas de consultoria e gerenciamento, um grupo de capitais muito importante, mas pouco tematizado pelos estudos da área. Lúcia Shimbo, por fim, investiga o mundo das empresas envolvidas com a produção da chamada habitação popular de mercado.

Em seu conjunto, os artigos lançam luz em diversas facetas muito pouco exploradas até o momento sobre o tema, relativas em especial às características dos diferentes capitais do urbano e de seus circuitos de valorização, às suas relações com a terra urbana e com o Estado, as políticas públicas e as instituições políticas em geral.

Acesse no link a edição 105 da Revista Novos Estudos.

 

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