Via LABMOB

MicromobilidadeBrasil.org promove e monitora os sistemas públicos de micromobilidade compartilhada brasileiros. Os objetivos da plataforma são: (1) monitorar e georreferenciar os sistemas públicos de micromobilidade compartilhada em operação; (2) promover a transparência de dados, (3) quantificar as emissões de CO2 evitadas através do uso desses sistemas. Também apresenta informações sobre perfil demográfico dos usuários e uso dos sistemas.

A plataforma apoia os governos locais a atingirem suas metas climáticas promovendo a micromobilidade como excelente solução para viabilizar áreas urbanas mais limpas e saudáveis.

Os dados da MicromobilidadeBrasil.org são referentes a 26 sistemas em funcionamento no primeiro semestre de 2021 em 20 cidades brasileiras. Inserções de novas cidades e alterações em sistemas são assinaladas na Plataforma e apresentadas em suas atualizações semestrais. O lançamento inclui um booklet que sintetiza o monitoramento dos sistemas de bicicletas e patinetes compartilhados brasileiros apresentados na Plataforma e o documento estará disponível para download no site do LABMOB.

MicromobilidadeBrasil.org é um projeto coordenado pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável (LABMOB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e do Itaú Unibanco e realizado em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Também contamos com a colaboração das operadoras Tembici, Serttel e Mobhis.

Nesta última atualização da Plataforma, os dados correspondem ao uso dos sistemas brasileiros no primeiro semestre de 2021. Nesse ano, a Plataforma mapeou ao todo 24 sistemas públicos de micromobilidade compartilhada no Brasil, distribuídos em 20 cidades diferentes. Cerca de 54% desses sistemas encontram-se na região Sudeste do país, principalmente por conta da relevância dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro que concentram 45% de todos os sistemas.

Em seguida, 20% dos sistemas no Nordeste, 16% no Sul e 4% no Centro-Oeste. A maior parte (91,6%) dos sistemas de micromobilidade era de bicicletas regulares com estações fixas (79,1%) e do tipo dockless (12,5%), e apenas 8,3% eram de patinetes dockless.

O impacto ambiental do uso desses sistemas foi estimado a partir das emissões diárias evitadas de Gases do Efeito Estufa (GEEs) calculadas a partir da quilometragem percorrida nos sistemas cujos dados foram fornecidos pelas operadoras. O método de cálculo das emissões evitadas foi desenvolvido em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). No primeiro semestre de 2021, os dados agregados mostram que foram percorridos 232 mil quilômetros por dia nos sistemas ativos levantados, o equivalente a 2,07 mil voltas ao redor do mundo por ano. A partir desses valores, estima-se que os sistemas evitaram a emissão de 5,21 toneladas de CO2 (dióxido de carbono equivalente) por ano, o correspondente ao carbono sequestrado pelo plantio de 13.873 mudas de árvores no mesmo período. Comparativamente a anos anteriores, percebe-se uma redução no número de bicicletas disponíveis e do número de viagens realizadas. Porém, na distância total percorrida diariamente houve um pequeno aumento, o que contribui para que não haja uma redução acentuada das emissões evitadas.

Breve explicação dos dados – Operadoras

Os dados sobre os sistemas apresentados na Plataforma Micromobilidade Brasil se referem ao uso no mês de março de 2021 e foram disponibilizados por três das cinco operadoras de sistemas no Brasil, Tembici, Serttel e Mobhis. No geral, os valores exibidos correspondem a médias diárias computadas da atividade dos sistemas durante o mês de março de 2021. É importante observar que o recorte temporal está inserido no contexto da pandemia Covid-19, que chegou ao Brasil em março de 2020 e se estende pelo ano de 2021. O mês de março de 2021, especificamente, foi um momento de recrudescimento da pandemia que impactou as atividades urbanas exercidas nas cidades onde esses sistemas operam e, consequentemente, interferiu nas atividades e uso destes.

Contextualização do tema

Os sistemas de micromobilidade pública têm crescido exponencialmente nas cidades brasileiras. No contexto de congestionamentos e comprometimento ambiental por conta do uso amplo de veículos motorizados movidos a combustíveis fósseis, os sistemas de micromobilidade aparecem como iniciativa de incentivo ao transporte ativo e sustentável e alternativa para a realização de deslocamentos cotidianos. O conceito de micromobilidade se refere aos deslocamentos feitos mediante veículos leves conectados a novas tecnologias e impulsionados por energia elétrica ou força humana. Esses veículos são usados muitas das vezes em combinação com outros modos de transporte nos chamados deslocamentos de primeira e/ou última milha.

Atualmente, mais de mil cidades ao redor do planeta possuem sistemas de micromobilidade compartilhada em operação. Em geral, esses sistemas são públicos e regulados pelo poder municipal das cidades onde se instalam. No entanto, são em muitos casos operacionalizados por empresas do setor privado. Os serviços de compartilhamento atuais apresentam dois formatos principais: em estações fixas de retirada e devolução ou do tipo dockless – sem estação fixa –, no qual os veículos são desbloqueados usando um aplicativo para smartphone e estacionados ao longo da calçada dentro de uma região definida. Esses sistemas oferecem comumente o aluguel de bicicletas e patinetes, com oferta bastante variada em termos de
número de veículos disponíveis.

Desde maio de 2020, quando o uso de bicicletas passou a ser recomendado como alternativa higienicamente mais segura e confiável para aqueles que não podiam evitar o isolamento social, o setor vem retomando o fôlego, reforçando o protagonismo destes sistemas como chave para a redução das emissões de carbono, transição da matriz energética dos transportes e melhoria dos índices de saúde pública.

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