Região Metropolitana da Grande Vitória: análise das transformações urbanas (2000-2010)

O Núcleo Vitória do INCT Observatório das Metrópoles acaba de entregar o livro “Transformações na Ordem Urbana da Região Metropolitana da Grande de Vitória – RMGV”. A publicação, que será lançada no segundo semestre de 2014, busca traçar um retrato mais completo da metrópole capixaba a partir de temas como mercado de trabalho, demografia, governança, movimentos pendulares, mobilidade urbana, moradia, segurança pública, entre outros.

O projeto “Transformações na Ordem Urbana das Metrópoles Brasileiras (1980-2010)” representa para o Observatório das Metrópoles a última etapa do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). O objetivo é oferecer a análise mais completa sobre a evolução urbana brasileira, servindo assim de subsídio para a elaboração de políticas públicas nas grandes cidades e para o debate sobre o papel metropolitano no desenvolvimento nacional. Nesta etapa do projeto, os núcleos regionais estão finalizando seus livros e enviando para o Comitê Gestor fazer a leitura final.

O Núcleo Vitória é constituído pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Economia e Planejamento (SEP) do Espírito Santo, cuja missão é prover conhecimento social, econômico e territorial do Espírito Santo, atuando como centro de excelência na gestão de redes de informação, subsidiando as políticas públicas e o desenvolvimento sustentável do estado. Nessa perspectiva, o Núcleo Vitória busca potencializar o desenvolvimento de estudos, projetos e linhas de pesquisas no âmbito do INCT Observatório das Metrópoles, sobretudo, no que se refere às temáticas urbanas e à Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV).

O coordenador do Núcleo Vitória, Pablo Lira, explica que para a produção do livro “Transformações na Ordem Urbana da Região Metropolitana da Grande de Vitória – RMGV” foi montada uma equipe interdisciplinar congregando profissionais do IJSN e mais colaboradores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade de Vila Velha (UVV). “Pelo Instituto Jones dos Santos Neves participaram técnicos das coordenações de Estudos Territoriais, Estudos Econômicos, Estudos Sociais e Geoprocessamento. Contamos ainda com a participação dos professores Gutemberg Hespanha Brasil e Aurélia H. Castiglioni, da UFES, e Ana Paula Lyra, da UVV”, explica e completa:

“Foi uma excelente experiência integrar a participação de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento para refletir sobre as transformações metropolitanas da RM da Grande Vitória. Ao mesmo tempo, vejo que a convergência desses olhares a partir de uma base metodológica do Observatório das Metrópoles se caracteriza como o grande diferencial e potencial do livro”, afirma Pablo.

Políticas Públicas. O Instituto Jones dos Santos Neves desenvolve vários estudos estratégicos em parceria com secretarias e instituições estaduais e municipais e o livro “Transformações na Ordem Urbana da Região Metropolitana da Grande de Vitória – RMGV” possibilitará pensar em políticas públicas para a metrópole capixaba e seus municípios integrantes. “Vamos publicar um estudo que analisa as transformações urbanas a partir de vários recortes específicos, um olhar macro e que vê a metrópole em seu conjunto de funcionamento. Acreditamos que, para além da produção de conhecimento, a obra poderá subsidiar políticas públicas. E isso será o seu maior resultado”, defende Pablo Lira.

Metrópole de Vitória: mudanças na última década

Dentre os resultados do estudo sobre a RM da Grande Vitória, Pablo Lira destaca temas como concentração produtiva, movimento pendular, tipologias socioespaciais e níveis de desigualdade/segregação.

Sobre a concentração produtiva, por exemplo, a RMGV reúne 48% da população do estado e mais de 60% do seu PIB, o que demonstra que esse território está consolidado na rede do Espírito Santo. Já dentro da metrópole o destaque é para o município de Vitória – que ainda concentra 48% do PIB da RMGV e aproximadamente 35% da renda aglomerando não apenas o emprego, mas o emprego melhor remunerado, o que explica a diferença de quase 200% entre o rendimento médio dos trabalhadores da capital comparados ao de Viana, município classificado no nível de integração alto em relação à dinâmica da metropolização brasileira.

“Mas a polarização da capital tem efeitos positivos sobre os municípios de mais alto índice de integração em que residem aproximadamente 70% da população da RMGV. Serra, Vila Velha e Cariacica, têm crescido em participação no PIB da RMGV, com destaque para Serra, que passou de 21,1% em 2000 a 24,5% em 2010”, explica Pablo.

Essa centralidade desequilibrada se reflete em problemas de mobilidade, posto que Vitória é o único município metropolitano que soma mais viagens de entrada que de saída, sendo o principal destino dentre os municípios, seguido de Serra. Por outro lado, Cariacica é o município de onde mais saem residentes rumo ao trabalho nos outros municípios.

De fato, Serra tem apresentado maior evolução nos indicadores demográficos e econômicos, o que pode indicar um maior dinamismo em relação aos demais municípios. Além da maior taxa de crescimento populacional desde 1970, percebemos ao longo dos capítulos do livro que Serra foi o município que teve maior crescimento da mancha urbana – atualmente quase 1/3 da RMGV) no período –, consolidando-se como segundo maior PIB estadual e vem evoluindo em sua renda média em um ritmo superior aos demais municípios, apesar de ainda estar aquém da renda média de Vitória e Vila Velha e menor mesmo que a média estadual.

Quanto às tipologias socioespaciais, o estudo irá mostrar que os tipos socioespaciais superiores, por exemplo, tendem a residir mais próximo ao local de trabalho, o que diminui seu tempo de deslocamento e, em conjunto com o fato dessas áreas, em geral, apresentarem melhor nível de infraestrutura e serviços, contribui para ter um Índice de Bem Estar Urbano (IBEU) melhor que as demais áreas.

Modelo em arco. A análise do território a partir das tipologias socioespaciais corroboraram algumas análises que já haviam sido realizadas, levando em conta a renda média dos municípios. Constatou-se que a parte litorânea de Vitória e Vila Velha concentram os tipos superiores, e os demais tipos desenham arcos sucessivos, à medida em que se afastam desta centralidade em direção aos limites da Região Metropolitana, onde a noção de periferia pode ser estabelecida. “Essa divisão territorial, apesar de não ser absoluta por uma série de nuances que expõem a complexidade do espaço urbano, pode ser vislumbrada também na análise dos deslocamentos pendulares, do Índice de Bem Estar Urbano e até mesmo na dinâmica criminal constatada em cada espaço”, conclui Pablo Lira.

 

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