Em seu primeiro número de 2018, a Revista Sociologias apresenta o dossiê Sociologia dos intelectuais, organizado por Enio Passiani. Este tema é, pela primeira vez, apresentado na revista. Os artigos que o integram expressam, metodológica e epistemologicamente, algumas das principais questões em torno do nascimento e da trajetória do “intelectual moderno”, suas crises e transfigurações que sofreu a partir de uma série de transformações históricas.

Destaca-se, nesse sentido, a presença e importância crescente da figura do intelectual não europeu, aquele que alguns autores intitulam como “intelectual periférico” – oriundo daquelas nações que foram colonizadas pelas “potências” europeias, particularmente alguns casos latino-americanos e africanos, a exemplo do horizonte que o dossiê abrange. Este tipo de intelectual, cujas características, disposições e posicionamentos (culturais, políticos, científicos, ideológicos e estéticos) conduzem a pensá-lo contemporaneamente a partir de outros parâmetros, parece indicar, inevitavelmente, uma reformulação das ciências sociais e suas formas de abordar o tema.

Segundo Enio Passiani, os artigos do dossiê, de um ponto de vista sociológico e com seus olhares diferenciados, procuram auscultar as transformações de sentido em torno do intelectual moderno, investigando seus imaginários sociais e buscando entender o intelectual nas sociedades presentes.

O dossiê “Sociologia dos Intelectuais” conta com textos de Bernard Lahire, Nilton Ken Ota, Adelia Miglievich-Ribeiro e Edison Romera, Luiz Jackson e Alejandro Blanco, Lídia Girola e Helgio Trindade.

Além disso, há uma entrevista com Severino Elias Ngoenha, sobre “Estudos Pós-Coloniais, Identidade e Educação” e artigos de Zaira Oliveira, sobre “As novas leituras de Marx e um velho problema da economia política”; de Mara Zélia B. Rocha, sobre “As Sendas da Verdade: um olhar foucaultiano sobre a busca da verdade”; de Pablo Holmes, sobre A semântica da complexidade e sua estrutura social: o materialismo “pós-estruturalista” da teoria dos sistemas e de Guy Tapie, sobre “Sociologia do espaço: modelos de interpretação”.

Finalmente, na seção interfaces, Fagner Carniel e Bruno Luiz Américo assinam o artigo “Rastreando os territórios da aprendizagem organizacional no Brasil”/ A resenha deste número é feita por Sergio da Mata, sobre o livro “A tolice da inteligência brasileira. Ou como o país se deixa manipular pela elite”, de Jessé Souza.

A Revista Sociologias é vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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