Rio de Janeiro-Santiago do Chile: metrópoles em transformação

By 11/04/2013dezembro 11th, 2017Eventos

Rio de Janeiro-Santiago do Chile: metrópoles em transformação

O INCT Observatório das Metrópoles e o Instituto de Estudos Urbanos da PUC Chile realizaram, no período de 1 a 5 de abril, o Seminário “RIO-SANTIAGO: metrópoles em transformação” com foco na elaboração de um projeto de análise comparada das duas metrópoles latino-americanas, através do apoio Fondecyt/CNPq. O primeiro encontro contemplou a disseminação da metodologia do instituto brasileiro relativa às tipologias socioespaciais para os pesquisadores chilenos, visando a construção de um indicador comum de coesão social e de qualidade de vida urbana. O seminário contou com a participação dos professores Carlos de Mattos, Luiz Cesar Ribeiro, Felipe Link e Ruben Kaztman.

O seminário “Rio-Santiago: metrópoles em transformação” foi realizado na sede do Instituto de Estudos Urbanos da PUC-Chile. Na primeira parte do evento pesquisadores do Observatório das Metrópoles apresentaram os resultados das pesquisas que estão sendo desenvolvidas no Rio de Janeiro, com destaque especial para as teses defendidas no ano de 2012.

Érica Tavares abordou em “Estrutura urbana, dinâmica populacional e mobilidade espacial na metrópole do Rio de Janeiro” a longa transição urbana por que passa a sociedade brasileira no período pós os anos 1970, com a superação da tese da exploração populacional como geradora dos problemas das grandes cidades brasileiras. Segundo ela, o que se vê após 1980 é a organização do conflito por invisíveis práticas de lutas para apropriar-se da cidade, não só estar nesse espaço, mas conseguir viver plenamente, aproveitando as condições que lhe são próprias.

Em seguida Juciano Martins Rodrigues contribuiu com “Expansão territorial da metrópole fluminense: população, economia e tendências” a partir de três procedimentos metodológicos principais: a) análise da distribuição da população no interior da metrópole; b) análise da distribuição e localização das atividades econômicas no espaço intrametropolitano; e c) análise da evolução da mancha urbana.

Por sua vez, Marcelo Gomes Ribeiro analisou em “Educação, Estrutura Social e Segmentação Residencial do Território Metropolitano” as desigualdades de renda do trabalho na metrópole do Rio de Janeiro, a partir da relação entre escolaridade, trabalho e a segmentação do território urbano. “A nossa participação nesse primeiro momento teve o objetivo de compartilhar a nossa experiência e metodologia com os pesquisadores chilenos; mostrando em que medida o Observatório conseguiu avançar em tópicos como a análise social do território e quais indicadores foram desenvolvidos”, explica Marcelo.

 

Projeto de estudo comparado: RIO-SANTIAGO

O estudo dos processos de transformação urbana metropolitana tem sido objeto de investigação nos últimos anos tanto do Instituto de Estudos Urbanos e Territoriais (PUC Chile) como do Observatório das Metrópoles. Os dois centros têm se dedicado à investigação sobre os processos de reestruturação das economias metropolitanas, que envolvem os riscos e responsabilidades sobre o bem-estar dos indivíduos, afetando certos setores da cidade e configurando um cenário de fragmentação urbana. Esses processos têm sido investigados a partir de diferentes variáveis e dimensões, como impactos territoriais da reestruturação do mercado de trabalho metropolitano.

Diante desse cenário, parece fundamental avançar na comparação e integração teórica, metodológica e técnica dessas pesquisas, já que respondem a um mesmo processo de metamorfose urbana nas cidades latino-americanas. É nesse sentido que o projeto “Metodologia de análise social do espaço metropolitano em Santiago e Rio de Janeiro” pretende avançar: gerando uma metodologia comum para o estudo comparado de grandes cidades do Chile e Brasil.

Segundo o professor Felipe Link (PUC Chile), o projeto contempla a construção de tipologias socio espaciais e a construção de um indicador de coesão social e qualidade de vida urbana para analisar comparativamente os processos de transformação urbana em curso. “O projeto contempla três modalidades de vinculação internacional: 1) Estadias no Chile para pesquisadores do Observatório das Metrópoles; 2) Estadias no Observatório/Brasil para os pesquisadores chilenos; e 3) Realização de um seminário bilateral no Chile com a participação do instituto brasileiro”, explica.

Para o coordenador do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar Ribeiro, a comparação implica identificar similitudes e tendências genéricas, assim como diferenças e particularidades na evolução recente do tecido social de nossas cidades, em um contexto de globalização e liberação econômica. “Tanto o Chile como o Brasil aprofundaram suas estratégias de abertura externa e liberalização econômica, e acho que é interessante perguntar quais os efeitos destas políticas nas grandes áreas metropolitanas dos dois países, entendidas como lugares mais expostos aos processos de modernização”, argumenta Ribeiro.

De concreto, o projeto de cooperação internacional pretende contemplar metodologias de análise social do espaço urbano. Por outro, as que têm relação com análises de segregação e fragmentação urbana, metodologias de análises e caracterização da coesão social e qualidade de vida urbana.

Leia mais:

Privações habitacionais e desenvolvimento escolar: segregação na América Latina

 

Última modificação em 11-04-2013