Na próxima segunda-feira, dia 05 de abril, terá início o Seminário “O Direito à Cidade em Tempos de Inflexão Ultraliberal”, promovido pelo Observatório das Metrópoles. Ao longo de três semanas, promoveremos doze mesas redondas com o objetivo de apresentar os resultados de projetos de pesquisa, aliando a perspectiva teórica com a possibilidade de incidência da rede.

As mesas serão compostas por pesquisadores(as) do Observatório, além de alguns convidados(as) externos(as), e sua estrutura prevê apresentações sobre o tema, comentários de um(a) especialista e participação do público. O evento também visa promover reflexões sobre o contexto político e as possibilidades de atuação e incidências futuras do Observatório das Metrópoles.

As 500 vagas para inscrição com emissão de certificado já foram preenchidas, porém quem quiser acompanhar os debates pode se inscrever em nosso canal no Youtube e assistir às mesas redondas, a partir do dia 05, às 16h.

Orientações gerais

  • A transmissão das mesas será realizada única e exclusivamente através do nosso canal no Youtube;
  • Sobre a verificação da presença, os(as) inscritos(as) receberão um e-mail específico com orientações;
  • Para a emissão de certificado, é necessário, no mínimo, 75% de presença no evento. O certificado só será emitido para quem realizou a inscrição previamente;
  • Os horários das mesas se alteram ao longo das semanas. Na Semana 1, as mesas ocorrerão de 16h às 19h; na Semana 2, de 17:30 às 20:30; e na Semana 3, de 16h às 19h novamente;
  • Durante as mesas, a participação para dúvidas e comentários será viabilizada através do chat no Youtube. Na parte final da atividade, essas mensagens serão repassadas para os(as) convidados(as) responderem/comentarem.

Programação da Semana 2 e 3

Anteriormente, apresentamos as mesas da Semana 1 (CLIQUE AQUI), a seguir, confira a programação da Semana 2 e 3:

MESA REDONDA #05 | A experiência brasileira de urbanização de favelas nos anos recentes

O objetivo da mesa é apresentar os resultados de dois projetos que se desenvolveram entre 2019 e 2020, como desdobramento da pesquisa Urbanização de favelas no Brasil: um balanço preliminar do PAC. A pesquisa intitulada “Direito à Cidade e Habitação: condicionantes institucionais e normativas para a implementação de políticas (programas e projetos) de urbanização de favelas – avaliação do ciclo recente” com coordenação geral de Madianita Nunes da Silva (UFPR) teve como objetivo identificar e analisar as condicionantes institucionais e normativas que deram suporte à políticas de urbanização de favelas nos municípios de Curitiba, Santo André, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Campina Grande e Pelotas. A pesquisa intitulada “A dimensão ambiental e as infraestruturas na urbanização de favelas: concepções de projetos, formas de produção das redes e especificidades dos assentamentos precários”, foi coordenada por Luciana Ferrara (UFABC) com o objetivo de avaliar projetos de urbanização de favelas onde foram realizadas importantes obras em infraestrutura, particularmente de drenagem, como elemento estruturador da intervenção, a partir de estudos de caso de São Paulo, Belém, Campina Grande, Curitiba e Recife. Os resultados das pesquisas apresentam um balanço dos avanços e das limitações encontradas na implementação dos programas de urbanização de favelas que contaram com recursos expressivos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), buscando identificar caminhos possíveis para políticas urbanas e habitacionais mais sustentáveis e que contribuam para reduzir as desigualdades estruturais que marcam as cidades e metrópoles brasileiras.

MESA REDONDA #06 | O legado dos experimentos de cidade neoliberal

O objetivo da mesa é apresentar os resultados das pesquisas que culminaram na publicação do livro “The Legacy of Mega Events – Urban Transformations and Citizenship in Rio de Janeiro”. O livro propõe a reflexão crítica sobre o experimento fracassado de reconstruir a cidade do Rio de Janeiro de acordo com a estratégia neoliberal de governança urbana empresarial e transformações regulamentares mercantis, que foram alavancadas por megaeventos esportivos. Além da apresentação dos conteúdos centrais do livro, a realização da mesa terá como objetivos propor a reflexão sobre as condições econômicas, sociais, políticas e institucionais do aprofundamento das regulações pró-mercado e da adoção de políticas neoliberais por diversos países no contexto dos megaeventos e da implementação de grandes projetos urbanos.

MESA REDONDA #07 | Regimes urbanos e governança metropolitana

Esta mesa terá como referência a publicação em versão eletrônica do relatório “Regimes Urbanos e Governança Metropolitana”. A mesa abordará as mudanças recentes nos padrões de desenvolvimento metropolitano, com ênfase nas interações entre os modelos de governança urbana e as grandes empresas (incorporadoras, construtoras, financiadoras, prestadoras de serviços públicos, entre outras), avaliando seus impactos sobre a gestão pública e a dinâmica socioespacial das metrópoles, de forma a trazer novos aportes ao debate sobre os modelos hegemônicos de regime urbano, identificados na literatura como neoliberalização do desenvolvimento urbano. Nesta perspectiva, busca-se contribuir para identificar as características específicas da difusão da governança do empreendedorismo no Brasil. As questões que orientam o debate são: Quais as características centrais da governança empreendedorista que se difunde pelas cidades brasileiras? Em que medida esta nova governança empreendedorista mantém as antigas práticas patrimonialistas de acumulação urbana e de representação baseadas no clientelismo combinada com novas práticas orientadas pela transformação das cidades em commodities? A crescente hegemonia da governança empreendedorista fundada na lógica do empresariamento urbano, ao tratar a cidade como commodity, desencadeia dinâmicas econômicas, sociais, políticas e espaciais frontalmente contrárias aos princípios do direito à moradia e à cidade que suscitam diversos conflitos entre as visões redistributivistas e neoliberal. Em que medida esses conflitos explicariam os dilemas para a efetivação dos instrumentos de inclusão socioespacial previstos no Estatuto da Cidade, após 20 anos de sua promulgação?

MESA REDONDA #08 | Espaços metropolitanos: processos, configurações, metodologias e perspectivas emergentes

A mesa tem por objetivo apresentar e debater parte dos conteúdos do livro “Espaços metropolitanos: processos, configurações, metodologias e perspectivas emergentes”. Dada a complexidade do tema e a variedade de artigos que compõem a obra, serão priorizados autores cuja reflexão está circunscrita a cada uma das três partes do livro. Desse modo, pretende-se discutir a natureza dos espaços metropolitanos com ênfase nos processos e nas configurações espaciais resultantes, na análise comparada entre metrópoles situadas em distintas porções do território nacional e na proposição de novas metodologias e parâmetros que possam contribuir com a apreensão da realidade metropolitana.

MESA REDONDA #09 | Cidade, trabalho e economia popular e solidária

No contexto atual de profunda crise econômica e política, a diversidade de experiências associativas de trabalho por todo o país nos desafia a pensar a cidade como força produtiva socializada para a reprodução da vida. A coletânea “Da cooperação na cidade à cidade cooperativa” buscou responder a esse desafio, reunindo experiências coletivas populares que estimulam a reflexão sobre a cidade como a escala intermediária entre o comunitário e o nacional/global, a escala dos sistemas de troca e de circulação cotidiana de pessoas e produtos. Nesse sentido, discutiremos alguns caminhos embrionários de superação da dicotomia cidade-campo, por meio das redes solidárias de produção-circulação-consumo de bens e serviços.

MESA REDONDA #10 | Metrópole e capitalismo financeirizado

Ao menos desde a crise financeira de 2007-2009, a literatura sobre a financeirização se multiplicou e diversificou, ganhando enorme influência em variadas disciplinas das ciências sociais e promovendo incontestáveis avanços na investigação das características do capitalismo contemporâneo. Foi justamente após a referida crise que diversos autores e autoras passaram a utilizar, com mais frequência, o conceito de financeirização para interpretar as dinâmicas recentes da produção social do espaço nas cidades do Brasil e do mundo. Em articulação com esse movimento, o Grupo de Pesquisa Metrópole, Estado e Capital resolveu desdobrar investimentos anteriores, realizados em torno dos temas da globalização e da neoliberalização, na compreensão teórica do tema da financeirização, sublinhando seus impactos e possíveis repercussões nas dinâmicas urbanas e metropolitanas. O principal resultado dessa iniciativa foi o livro “As Metrópoles e o Capitalismo Financeirizado”, cujos capítulos resultam tanto da produção dos integrantes do grupo quanto de autores e autoras com quem foram mantidas interações intelectuais, diretas ou indiretas, no sentido do compartilhamento de indagações, análises e inquietações teóricas. Esta mesa propõe reunir autores e autoras que ofereceram contribuições ao livro. Como na obra, pretende-se deslocar do nível mais teórico ao mais empírico, ressaltando os pontos centrais e o fio condutor que constituem sua unidade. Espera-se, com isso, oferecer um panorama das discussões e complexidades que envolvem o fenômeno da financeirização, desde sua construção teórica até o seu rebatimento espacial nas cidades. Considerando o número relativamente pequeno de obras sobre o tema no país, busca-se delinear bases comuns que permitam o aprofundamento do debate, estimulando novas pesquisas sobre o tema.

MESA REDONDA #11 | A divulgação científica e seus desafios atuais

O Observatório das Metrópoles tem investido há anos na divulgação de suas pesquisas para o público especializado e leigo, resultando no reconhecimento de sua autoridade e competência na produção de conhecimento sobre o urbano-metropolitano. Esse histórico, no entanto, não nos isenta de desafios no processo de comunicar ciência, dado que o próprio desenvolvimento da sociedade atualiza o papel do conhecimento e a percepção pública sobre a ciência. Nesse sentido, a presente mesa pretende discutir fenômenos escancarados pela conjuntura (nacional e internacional) que renovam as questões e dilemas envolvidos na divulgação científica. Interessa-nos refletir sobre o atual estágio de confiança pública na ciência na era de fakes news, a linguagem e a forma do discurso científico na divulgação, o papel do(a) cientista e o seu protagonismo enquanto divulgador(a) e, por fim, o objetivo da divulgação: persuadir ou informar?

Seminário “O Direito à Cidade em Tempos de Inflexão Ultraliberal” é o primeiro de uma série de eventos que compõem o II Congresso Observatório das Metrópoles “O Futuro das Metrópoles e as Metrópoles no Futuro”.