Com o objetivo de refletir sobre o uso excessivo do carro e pensar soluções que preservem o meio ambiente, o Dia Mundial sem Carro tem sido realizado em diversas partes do mundo desde 1997, quando é creditada a primeira campanha, na França. Desde então, diversas iniciativas públicas e da sociedade civil têm sido organizadas a fim de incentivar as pessoas a utilizarem outras formas de deslocamento, de modo a diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera e melhorar a qualidade de vida.

A edição 2019 do Mapa da Motorização Individual no Brasil, elaborado pelo Observatório das Metrópoles, mostrou que entre 2008 e 2018, o total de automóveis no Brasil passou de 37,1 milhões para 65,7 milhões. Sendo que as 17 principais regiões metropolitanas foram responsáveis por 40% desse crescimento. Isso quer dizer que as cidades que enfrentam os piores problemas de trânsito e transporte continuaram a receber boa parte da carga de novos automóveis que passam a povoar as ruas.

Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), através da ferramenta online Monitor de Ônibus SP, a velocidade média dos ônibus na capital paulista aumentou durante a pandemia de coronavírus – sob uma velocidade maior, eles ficam menos tempo no trânsito e tornam-se mais eficientes, gerando menos emissão por quilômetro trafegado. “A partir do mês de março, com a diminuição do número de pessoas e de veículos se deslocando na cidade, o transporte público pôde circular de modo mais eficiente, reduzindo 52% das emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos causadores do aquecimento global, em um dia útil médio de abril quando comparado a um dia útil média de fevereiro”, aponta o IEMA.

Na esteira do Dia Mundial sem Carro, a Semana da Mobilidade¹ visa refletir, debater e promover ações para melhorar a mobilidade. O Observatório das Metrópoles, que desenvolve um projeto de pesquisa sobre o tema, defende soluções coletivas e sustentáveis de transporte urbano, além de se utilizar de uma compreensão de mobilidade que vai além do transporte em si e inclui a questão social – o enfrentamento às desigualdades nas cidades inclui as formas de acesso à infraestruturas e oportunidades que garantam justiça social, moradia, saúde, segurança pública e sustentabilidade ambiental.

Nesse sentido, divulgamos a cartilha “Cidade Em Movimento”, elaborada por organizações que atuam na promoção de cidades mais justas e inclusivas em Belo Horizonte e na Região Metropolitana (RMBH). A publicação reflete sobre direito à cidade, racismo no transporte urbano e mobilidade como direito humano.

Entendemos o transporte urbano como um catalisador de transformações nas cidades por garantir condições de vida, acesso a serviços públicos, equipamentos urbanos e oportunidades de emprego. Para tanto, as perspectivas de raça, gênero e idade – assim como a representação político-institucional de mulheres, pretos, LGBTQI+ e jovens nas instâncias de poder e decisão – devem ser consideradas na gestão da mobilidade urbana e a cartilha “Cidade Em Movimento” sugere essa participação política para além do voto.

No contexto das eleições municipais 2020, a cartilha busca mobilizar o compromisso e a incidência política em torno de 13 iniciativas que promovem cidades mais sustentáveis e de bem viver. Confira alguns pontos:

  • Acesso a oportunidades de trabalho, escolas, postos de saúde, praças, parques, comércio, cultura e serviços é fundamental: para termos uma vida plena em cidadania precisamos ter direito à cidade!
  • É papel do Estado prover cidades melhores, com oportunidades para todas e todos. Mas isso tem acontecido?
  • Costumamos pensar que nossa vida vai melhorar se comprarmos um carro. Mas será que a cidade funcionaria se todas e todos tivessem carros?
  • Espaços públicos, cultura, lazer: Todas e todos têm direito de usufruir os espaços e equipamentos públicos. Por que isso não acontece?

Um dos coletivos participantes da elaboração da cartilha, a BH em Ciclo promoveu em seu podcast “Pedal no Ar” um bate-papo com Luana Costa do Movimento Nossa BH. No programa, foi abordado o processo de construção do documento, além da estrutura e objetivos, como a incidência política nas eleições municipais desse ano. Confira o episódio, disponível no Soundcloud.

Para consultar a cartilha Cidade Em Movimento, CLIQUE AQUI.


¹ A Semana da Mobilidade, que ocorre entre 18 e 25 de setembro, é uma denominação alternativa e mais abrangente da Semana Nacional do Trânsito, que foi instituída pelo Artigo 326 do Código de Trânsito Brasileiro, Lei nº 9.503/1997 (Observatório da Bicicleta, 2020).