Engarrafamento na saída do Centro do Rio de Janeiro

Engarrafamento na saída do Centro do Rio de Janeiro

A Metrópole do Rio de Janeiro tem verificado, nos últimos anos, um processo de auto-segregação das camadas populares que vivem um processo de deslocamento para a periferia metropolitana. O e-book “Rio de Janeiro: transformações na ordem urbana” aponta, a partir da análise dos movimentos pendulares e da mobilidade urbana, que a lógica do modelo núcleo-periferia ainda permanece na organização social do espaço metropolitano fluminense, e que parte da população, especialmente as classes populares, desloca-se diariamente num movimento casa-trabalho, da periferia para a área central do Rio de Janeiro e para a Barra da Tijuca.

O capítulo “Transformações demográficas: os movimentos da população no território”, de Érica Tavares e Ricardo Antunes Dantas de Oliveira, é um dos destaques do livro “Rio de Janeiro: transformações na ordem urbana”.

Na análise os autores buscaram compreender os aspectos recentes da dinâmica populacional nos municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) e seus espaços internos e avaliar como tal dinâmica contribui para explicar as transformações ocorridas na organização social do território metropolitano nos últimos anos. Para tanto, pretendeu-se analisar as possíveis relações entre a dinâmica da população (crescimento, distribuição, movimentos) com outros elementos da estrutura urbana, como a ocupação do espaço, evolução do número de moradias e inserção no mercado de trabalho regional.

Dentre as conclusões, Érica Tavares e Ricardo Oliveira mostram que a organização social do território da RMRJ apresenta estreita relação com os processos relacionados à dinâmica da população. Em nível municipal, foi possível identificar a existência de alguns grupos de municípios que vêm apresentando comportamentos semelhantes no processo de expansão urbana. Rio de Janeiro e Niterói apresentam crescimento populacional bastante reduzido e já estão sendo acompanhados pela maior parte dos municípios da Baixada Fluminense. Mas os municípios da Baixada, juntamente com São Gonçalo, também apresentam um processo de ocupação urbana mais consolidada, com densidade urbana mais alta em relação a outros da periferia, taxas migratórias baixas ou negativas e o volume de trabalhadores pendulares permanece alto.

No outro extremo, observa-se um grupo de municípios em evidente expansão urbana em áreas de baixa densidade: com aumento considerável de unidades domiciliares, de população e de atração migratória, mas também de saída de pessoas para trabalhar em outros municípios. Estão nesse contexto Itaguaí, Guapimirim, Mangaratiba e Maricá. Em nível intermediário de ocupação urbana, há um grupo mais heterogêneo no qual estão Itaboraí, Magé, Queimados, Paracambi, Japeri, Seropédica e Tanguá. Em linhas gerais, este último grupo apresenta crescimento populacional e aumento no número de domicílios menores que o grupo anterior, com participação da migração mais variada e aumento do número de trabalhadores pendulares considerável também.

Quanto à dinâmica demográfica, observa-se que a RMRJ é um dos espaços brasileiros em processo mais avançado de envelhecimento populacional e que, apesar das desigualdades sociodemográficas ainda existentes em seu território interno, nota-se que a diminuição da fecundidade vem ocorrendo em todos os lugares e o processo de envelhecimento é generalizado.

É nesse sentido que os autores deram um enfoque especial aos processos de mobilidade espacial, através da mobilidade residencial metropolitana. Embora os volumes migratórios também venham sofrendo diminuição, há uma pluralidade de movimentos e distintas lógicas sociais, econômicas e mesmo culturais operando sobre os movimentos da população no espaço. Em termos de estoque migratório, são as áreas populares da metrópole que apresentam maior proporção de migrantes em 2010 (22,5%) em sua própria população, embora em seguida sejam as áreas superiores que apresentam participação mais considerável (16,9%) – sugerindo uma duplicidade do peso da mobilidade residencial na metrópole, tanto nas áreas populares quanto nas superiores.

Faça no link a seguir o download do livro “Rio de Janeiro: transformações na ordem urbana”.