Acompanhe nesta quinta-feira, dia 09 de setembro, às 16:00, o penúltimo debate do Ciclo Cadernos Metrópole – Difusão Científica e Temas Emergentes. Com a presença de Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva (UFRN) e Francisco Fonseca (PUC-SP), a atividade abordará a governança urbana e metropolitana, a partir do dossiê “Disputas político-conceituais sobre a governança das metrópoles”.

Publicado na Revista Cadernos Metrópole número 45, o dossiê organizado por Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva aborda a governança, as políticas públicas, os espaços de poder e o território, como formas diversas de manifestação da governança urbana e metropolitana

Com transmissão ao vivo pelo Youtube, o debate começará às 16:00 e será mediado por Lucia Bógus, editora científica da Cadernos Metrópole. A seguir, confira os principais pontos abordados no último debate e a programação dos próximos.

“Macroeconomia e Desenvolvimento Metropolitano, Regional e Local” foi tema do quarto debate do Ciclo Cadernos Metrópole

O dossiê “Macroeconomia e Desenvolvimento Metropolitano, Regional e Local” foi tema do quarto debate do Ciclo Cadernos Metrópole – Difusão Científica e Temas Emergentes, que ocorreu no último dia 02, em transmissão ao vivo pelo Youtube. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alexandre Abdal – um dos organizadores do dossiê, junto com Gabriel Rossini -, recebeu a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Hipólita Siqueira, para debater sobre a interação entre o movimento macroeconômico e o desenvolvimento territorial. Participaram da abertura do evento a editora científica da Cadernos Metrópole, Lucia Bógus e o coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar Ribeiro.

O professor Alexandre Abdal iniciou o debate informando que o dossiê foi publicado na revista Cadernos Metrópole na edição de setembro a dezembro de 2020. “Ainda não fez um ano, é recente. Foi organizado por um economista (Gabriel Rossini) e por mim, um sociólogo, isso quer dizer que extrapola fronteiras disciplinares”, ressaltou. O dossiê é composto por 14 artigos e mais três complementares e o que mais caracteriza é a diversidade temática e disciplinar. “Envolve vários temas, desde alguns artigos discutindo ou comparando zona franca, produção de cidades e habitação social ou mercado habitacional, mercado de terras, segregação espacial e artigos falando sobre mudanças climáticas”, pontuou Abdal.

Segundo o professor, cada artigo teve o desafio de articular por condicionantes macroeconômicas nacionais ou internacionais, com dinâmicas territoriais mais ou menos específicas. “Isso sugere uma agenda de pesquisa, que é justamente olhar para essas articulações e como essas duas dimensões, territoriais por um lado e mais macroeconômica ou mesmo macrossociológica por outro, se reforçam mutuamente ou inversamente, em alguns caminhos”, observou. Para Abdal, essa é uma agenda importante e interessante, pois remete às possibilidades e limites do desenvolvimento nacional. “Estamos em um momento bastante difícil no nosso país, dentre várias carências, precisamos de um projeto nacional e isso ficou muito evidente: a ausência de projeto de país. No entanto, essa agenda de pesquisa remete às possibilidades e limites do desenvolvimento nacional e as dinâmicas territoriais a elas associadas”, mencionou.

Conforme o professor, as escalas e dinâmicas territoriais se constituem mutuamente e esse ponto é pensar o país e a ideia de constituição mútua entre desenvolvimento e território. “Essa agenda é contemporânea e permite diferentes entradas que estão presentes no dossiê, diferentes chaves, como tendências mais macronacionais ou internacionais, mudança climática, financeirização do capital, emergência de um novo ciclo tecnológico – economia do compartilhamento que afeta as dinâmicas urbanas – e a chave da globalização ou, mais especificamente, a crise do projeto de globalização”, discorreu. Para Abdal, é importante destacar também que esta agenda é pós-disciplinar, pois está organizada muito mais em função de problemas de pesquisa ou públicos, e não exatamente de disciplinas.

“Inverte um pouco, porque às vezes a tradição disciplinar é muito forte, mas é uma agenda na qual praticamente todas as disciplinas são bem-vindas. A economia trata o espaço como um repositório de ações econômicas e o resultado do processo de tomada de decisão das firmas. A geografia vê isso diferente: o espaço também é condicionante da ação, não só econômica, mas da ação social, e a sociologia, sobretudo, tende a ver o espaço como um espaço relacional, então, é interessante ver como essas disciplinas tratam o espaço, e essas formas diferentes de verem o espaço podem colaborar para a resolução de problemas de pesquisa”, concluiu.

A professora Hipólita Siqueira comentou que valeria a pena discutir a abordagem metodológica da pesquisa. “Como somos estudiosos da temática urbana e regional, não explicitamos muito a contextualização em períodos diferentes de orientação de políticas macroeconômicas e seus efeitos. A macroeconomia acaba nos condicionando a esse enquadramento nacional, equação da renda, modelo com e sem governo, economia fechada e aberta, em termos analíticos. Na realidade não existe assim, mas acabamos ficando condicionados a um enquadramento nacional e a dinâmica das relações econômicas não respeita esse enquadramento imposto por esses limites político-territoriais e administrativos. Para nós, sempre foi um desafio sair desse enquadramento. Essa dinâmica não está confinada no limite territorial nacional e muito menos dos estados e municípios da Federação, porque não tem barreiras internas e alfandegarias, no máximo tem alíquotas distintas de impostos”, refletiu.

O Ciclo Cadernos Metrópole é o segundo evento do II Congresso Observatório das Metrópoles “O Futuro das Metrópoles e as Metrópoles no Futuro”, que pretende construir uma interpretação compartilhada sobre as mudanças em curso, pensar sobre a produção da rede e estabelecer estratégias de intervenção.

Programação

05/08 – Mesa de Abertura | A Metrópole e a Covid-19: presente e futuro

  • Abertura: Lucia Bógus
  • Organizador: Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro
  • Convidados: José Noronha, Nabil Bonduki, Ricardo Dantas e Roberto Falanga

12/08 – Dossiê 01 | A Metrópole e a Questão Ambiental

  • Organizador: Pedro Roberto Jacobi (Universidade de São Paulo)
  • Debatedora: Angélica Benatti Alvim (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

19/08 – Dossiê 02 | A Metrópole e a Gestão das Águas

  • Organizadora: Ana Lucia Britto (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • Debatedora: Ricardo Moretti (Universidade Federal do ABC)

26/08 – Dossiê 03 | Metropolização: Dinâmicas, Escalas e Estratégias

  • Organizadora: Olga Freitas Firkowski (Universidade Federal do Paraná)
  • Debatedora: Regina Tunes (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

02/09 – Dossiê 04 | Macroeconomia e Desenvolvimento Metropolitano, Regional e Local

  • Organizador: Alexandre Abdal (Fundação Getúlio Vargas)
  • Debatedora: Hipolita Siqueira de Oliveira (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

09/09 – Dossiê 05 | Disputas Político-Conceituais sobre a Governança Metropolitana

  • Organizador: Alexsandro Cardoso da Silva (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
  • Debatedor: Francisco Fonseca (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

16/09 – Dossiê 06 | O Ativismo Urbano Contemporâneo: resistências e insurgências à ordem urbana neoliberal

  • Organizador: Luciano Fedozzi (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
  • Debatedora: Lívia Miranda (Universidade Federal de Campina Grande)

Saiba mais em: ofuturodasmetropoles.observatoriodasmetropoles.net.br