Escrita por Guilherme Tampieri, a dissertação “Belo Horizonte, as bicicletas e a utopia como estratégia de luta: uma cicloviagem pela contínua busca para transição ciclável na capital mineira e um olhar sobre a experiência de Fortaleza” analisa o planejamento e a gestão da mobilidade por bicicleta na capital mineira e na capital cearense, a partir do conceito de Sistema Bicicleta.

O Système Vélo, ou Sistema Bicicleta, conceito elaborado por Frédéric Héran, traz uma série de componentes que podem contribuir positiva ou negativamente no resultado final de uma política da bicicleta. Nesse sentido, Tampieri realiza uma análise histórica de como Belo Horizonte, de 2005 até 2020, produziu seus Sistemas Bicicleta, percorrendo desafios, avanços e retrocessos vividos na capital mineira, numa narrativa contada majoritariamente a partir de vozes de organizações e movimentos sociais que buscam suas utopias de cidade – ou cidades utópicas. Em seguida, faz uma comparação do processo histórico de Fortaleza, cidade referência nacional no estímulo ao uso da bicicleta, como contranarrativa ao que se passou na capital mineira.

Pesquisador do Observatório das Metrópoles Núcleo Belo Horizonte, Tampieri desenvolveu a sua dissertação de mestrado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a orientação de Heloisa Soares de Moura Costa.

Ação em Fortaleza para mostrar a ocupação do espaço por bicicletas, carros e ônibus. Fonte: Acervo pessoal do autor. Retirada de uma apresentação de servidor da Prefeitura de Fortaleza.

A seguir, confira a apresentação dos principais pontos do trabalho:

A que pergunta a sua pesquisa responde?

Como fazer uma leitura – e compreender – uma política pública para bicicleta no contexto brasileiro? Em seguida, pergunta-se: qual o potencial que tal leitura tem, no sentido de estimular boas práticas de planejamento, gestão e monitoramento das políticas de fomento ao uso da bicicleta?

Por que isso é relevante?

São muitas as questões e razões pelas quais deveríamos lançar mais luz no uso da bicicleta no contexto das cidades. Muitas respostas têm sido dadas no campo da Engenharia de Produção, do Desenho Industrial e afins. No entanto, outras perguntas podem ser feitas no campo das geografias e outras ciências humanas: como foi que as bicicletas se tornaram parte das lutas pela reconquista do espaço público? Porque ela se transformou em um símbolo de enfrentamento às espoliações e violências urbanas? Quando foi que organizações e movimentos sociais perceberam que havia um potencial de articulação e mobilização social em torno da bicicleta? O que motivou a formação de associações e movimentos de ciclistas? Quando a pauta da mobilidade por bicicleta chegou ao Brasil, em termos de políticas públicas? Como as organizações e movimentos sociais têm contribuído – ou não – na defesa de cidades mais justas no que diz respeito ao uso do espaço público? Como a cidade atrai ou expulsa homens e mulheres que pedalam diariamente? Como a bicicleta está inserida no boom de discussões sobre a mobilidade urbana e torna-se um fator chave para uma cidade sustentável, ou nos debates sobre mobilidade urbana de baixas emissões? Estas e outras tantas questões foram respondidas, direta ou indiretamente, nos capítulos da dissertação.

Capa da dissertação do autor.

Qual o resumo da pesquisa?

O objetivo da pesquisa foi ensaiar um método de leitura – e entendimento – sobre como as cidades, com dois estudos de caso com pesos distintos, estão incluindo – ou não – a mobilidade urbana por bicicleta em suas políticas públicas. É preciso frisar que Belo Horizonte é o estudo de caso protagonista e Fortaleza entra na pesquisa como um cotejamento da capital mineira. Para tal, foi lançada luz à agenda das políticas de mobilidade urbana por bicicleta, fazendo uso de determinadas ferramentas metodológicas e partindo-se de uma releitura da bibliografia (inter)nacional, apresentadas ao longo da dissertação, sobre a compreensão, planejamento e avaliação de políticas públicas de ciclomobilidade. Parte-se da hipótese de que com uma ferramenta metodológica de leitura de tais processos, tem-se maior capacidade de avaliar o que cada cidade tem de potencial, de desafios e de problemas e, a partir daí, seguir adiante com maiores insumos para se promover o uso da bicicleta.

Quais foram as conclusões?

Concluiu-se que Belo Horizonte, referência em planejamento da mobilidade, foi incapaz de gerir sua política, seguir seus objetivos e alcançar suas metas para a mobilidade por bicicleta. Fortaleza ainda tem grandes desafios na produção do espaço urbano no que diz respeito à mobilidade (por bicicleta), incluindo e excluindo a bicicleta em um movimento cotidiano e contraditório no planejamento e gestão da mobilidade urbana.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Pessoas, movimentos, organizações e outras instituições que tenham interesse nas áreas de planejamento, gestão, monitoramento e revisão de planos e políticas de mobilidade urbana, mobilidade ativa, planejamento urbano, mudanças climáticas, militância ambiental, ciclismo urbano, movimentos sociais organizados, entre outros.

Confira o trabalho completo, CLIQUE AQUI.